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quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Autismo e possibilidades de intervenção comportamental

O cinema americano há tempos apresenta filmes nos quais o transtorno autista aparece como foco principal, inclusive mostrando personagens com alta capacidade para decifrar códigos secretos ou como testemunhas
de homicídios ou outros crimes. Mas, na realidade, fora das telas dos cinemas, ainda é grande o desconhecimento do que é o autismo, como este se caracteriza e apresenta-se e quais as modalidades de tratamento atualmente disponíveis e com bons índices de êxito.

O transtorno e seu histórico

O autismo foi primeiramente descrito pelo médico Leo Kanner em 1943, tendo este autor descrito em seu artigo, datado também deste ano, onze casos de crianças autistas que acompanhou sendo que estas apresentavam características semelhantes entre si. No ano seguinte, Hans Asperger escreveu o artigo intitulado “Psicopatologia autística da infância”, no qual também descreveu casos de crianças com quadro semelhante às de Kanner.

Em 1961, Ferster realizou estudos intentando compreender o autismo e as crianças que apresentavam tal síndrome, numa época em que a maioria dos profissionais considerava que esta era causada por um transtorno emocional subjacente. Ferster sugeriu, então, que o autismo seria resultante de uma interação pais/filhos inadequada e precária, que levaria a uma falha na aprendizagem destas crianças (Loovas e Smith, 2005). Hoje em dia tal teoria não é defendida, porém acabou por lançar as bases da compreensão de que a conduta autista pode ser entendida e tratada através dos princípios de aprendizagem da teoria behaviorista.

Desde então, outros estudos vêm sendo realizados acerca da síndrome autística, porém ainda hoje suas causas são desconhecidas. O transtorno autista é enquadrado na classificação do DSM IV dentro dos transtornos invasivos do desenvolvimento e na CID 10 é classificado como um transtorno global do desenvolvimento. Logo, este transtorno caracteriza-se por um desenvolvimento alterado ou anormal na criança, manifestando-se antes dos 3 anos de idade, sendo este um dos critérios para diagnóstico deste quadro.

Em relação às causas, motivo que gera ansiedade nos pais que recebem o diagnóstico autista de seus filhos, pode-se dizer que a ideia hoje mais aceita é de que é uma síndrome comportamental possivelmente resultante de um quadro orgânico, e com provável origem genética. Além disso, não se pode esquecer que o indivíduo é uma totalidade, e dentro do referencial comportamental, este indivíduo é resultante da interação do biológico com o ambiente, sua história de aprendizagem e desenvolvimento, das contingências a que este indivíduo está exposto na sua história de vida. Logo, não seria apenas o biológico que se manifesta, mas a interação de todo o aparato orgânico/genético com o ambiente que cerca o indivíduo.
Segundo critérios de diagnóstico do DSM IV e da CID 10, o quadro do transtorno autista inclui perturbações características da interação social, da comunicação e do comportamento. As duas primeiras e uma dificuldade no uso da imaginação caracterizam o que Wing e Gould (1979) denominam a tríade constituinte da síndrome autista, devendo estes três aparecerem juntos. Conforme ressalta Mello (2003, p. 12), “a tríade é responsável por um padrão de comportamento restrito e repetitivo, mas com condições de inteligência que podem variar de retardo mental a níveis acima da média”.

Consoante Frith (1991, apud Ballone, 2005), as crianças autistas possuem também dificuldade para se colocarem no lugar do outro, para então compreender o que a outra pessoa pode estar sentindo. Tal comportamento empático faz parte das habilidades sociais que uma pessoa deve possuir para manter adequados níveis de interação interpessoal, o que estando prejudicado, leva a maiores prejuízos de ordem social, como os identificados no autista.

Os critérios de estudo do autismo são bastante diferentes e por isso têm-se encontrado na literatura números díspares em relação à incidência do autismo na população em geral. O que se sabe com certeza é que este número é maior entre meninos do que entre meninas. De forma ampla, pode-se dizer que estes números flutuam de 5 a 15 casos em cada dez mil crianças, sendo que estes números estão em dependência dos diferentes autores dos estudos, já que por vezes o enquadre de uma criança no diagnóstico autista pode assumir caráter subjetivo (Ballone, 2005).

Não obstante todo o rol de desajustes descritos para o diagnóstico de autismo, deve-se levar em conta que as crianças autistas também apresentam diferenças entre si, que podem ser bastante marcadas (Lovaas e Smith, 2005), e que por este motivo o tratamento deve sempre ser avaliado e esquematizado a partir das peculiaridades apresentadas pela criança em questão, enquadrando a técnica ao quadro do paciente e não tentando enquadrar a criança a uma técnica de maneira generalista (Echegaray, García, Bujedo, Domínguez, 2002).


Saiba mais em: Cedap Brasil

domingo, 28 de agosto de 2011

A Educação Física Transpondo as Dificuldades de Aprendizagem na (da) Escola.


ESCOLA, DIFICULDADES E DISTURBIO

A escola não é apenas aquilo que a lei lhe impõe. Ela é muito mais o produto das práticas diárias de seus professores, alunos, funcionários e pais e das relações que estabelece com o todo social. É um ambiente de ações e reações, onde ocorre o saber, o saber-fazer e o ser. É constituída por características políticas, sociais, culturais e críticas. Ela é um sistema vivo, aberto. E como tal, deve ser considerada como em contínuo processo de desenvolvimento influenciando e sendo influenciada pelo ambiente, onde existe um feedback dinâmico e contínuo.
É neste ambiente de produções e produto que se insere o professor, o educador, não como um indivíduo superior, em hierarquia com o educando, como detentor do saber-fazer, mas como um igual, onde o relacionamento ente ambos concretiza o processo de ensinar-aprender. Pensar no educador como um ser humano é levar à sua formação o desafio de resgatar as dimensões cultural, política, social e pedagógica, isto é, resgatar os elementos cruciais para que se possa redimensionar suas ações no/para o mundo.
Sendo assim tem uma função de realizar mediação entre o conhecimento prévio dos alunos e o sistematizado, propiciando formas de acesso ao conhecimento científico. Porém todo aluno tem o seu ritmo na construção do conhecimento e muitas escolas acabam desrespeitando este ritmo, através de grandes exigências. Contudo o desempenho escolar pode ser influenciado tanto por problemas afetivos, psicomotores, cognitivos, como por problemas relacionados à escola.
É muito discutida a questão do papel do professor na educação em relação aos alunos que apresentam "dificuldades de aprendizagem".
Sabemos que os problemas de aprendizagem não podem ser resolvidos apenas com os educadores. A escola é construída com a participação da família e do estado(professores). Quando um desses atores deixa de cumprir o seu papel, compromete o trabalho do outro.
Nas literaturas sobre aprendizagem, muito se tem discutido sobre distúrbios versos dificuldade de aprendizagem, ficando claro que não são sinônimos, apesar da diferença ser muito sutil entre os termos.

Esses distúrbios e dificuldades abrangem vários fatores, uma vez que envolvem a complexidade do ser humano, afetando crianças, adolescentes e adultos.
Acredita-se que podem ser decorrentes de:
Um estresse grande vivido pela criança
Doenças
Falta de alimentação
Falta de estímulos
Baixa auto-estima
Problemas com alcoolismo ou drogas
Problema familiar
Problema escolar
Problemas patológicos
O distúrbio está relacionado a um grupo de dificuldades com maior comprometimento e está vinculado a questões neurológicas e orgânicas. Isso significa que essas dificuldades estão relacionadas na aquisição e no uso da fala, leitura, escrita, raciocínio ou habilidades matemáticas que se referem às disfunções no sistema nervoso central.
Os alunos portadores de distúrbio de aprendizagem não são incapazes de aprender, pois os distúrbios não é uma deficiência irreversível, mas uma forma de imaturidade que requer atenção e métodos de ensino apropriados.
Considera-se que um alunos que tenha distúrbio de aprendizagem quando:
a) Não apresenta um desempenho compatível com sua idade quando lhe são fornecidas experiências de aprendizagem apropriadas;
b) Apresenta discrepância entre seu desempenho e sua habilidade intelectual em uma ou mais das seguintes áreas; expressão oral e escrita, compreensão de ordens orais, habilidades de leitura/compreensão e cálculo/raciocínio matemático.
Além disso, costuma-se considerar quatro critérios adicionais no diagnóstico de distúrbios de aprendizagem. Para que o aluno possa ser incluído neste grupo, ele deverá:
a) Apresentar problemas de aprendizagem em uma ou mais áreas;
b) Apresentar uma discrepância significativa entre seu potencial e seu desempenho real;
c) Apresentar um desempenho irregular, isto é, o aluno tem desempenho satisfatório e insatisfatório alternadamente, no mesmo tipo de tarefa;
Principais distúrbios de aprendizagem: dislexia, disgrafia, discalculia, dislalia, etc.
Já a dificuldade de aprendizagem é um termo mais global e abrangente com causas relacionadas ao sujeito que aprende, aos conteúdos pedagógicos, ao professor, aos métodos de ensino, ao ambiente físico e social da escola. Ou seja, problemas que não estão apenas no aluno, mas que interferem na sua aprendizagem.
"As dificuldades de aprendizagem não são uma condição ou síndrome simples, nem decorrem apenas de uma única etiologia, trata-se de um conjunto de condições e de problemas heterogêneos e de uma diversidade de sintomas e de atributos que obviamente subentendem diversificadas e diferenciadas respostas clínico-educacionais" (PORTO, 2005, p. 59)
Não podemos também deixar de considerar que as dificuldades de aprendizagem muitas vezes podem ocorrer concomitantemente com outras situações desfavoráveis, como: alteração sensorial, retardo mental, distúrbio emocional, ou social, ou mesmo influências ambientais de qualquer natureza.
Portanto, é imprescindível a observação global de um aluno, para que seja possível levantar hipóteses sobre a origem de sua dificuldade antes de se categorizar como sendo de ordem patológica ou não.
Uma dificuldade não é uma doença e sim um desafio, que propõe à escola rever suas estratégias e ao professor rever suas concepções.
É importante ter conhecimento sobre este assunto, para que seja possível tornar o professor mais consciente do seu papel e da influência de sua concepção e postura frente ao tema. Esclarecê-lo que a dificuldade não é um distúrbio, portanto, pode ser trabalhada em sala de aula, que sua causa e aparecimento não são devidos unicamente ao aluno, à sua família ou de outra ordem, mas sim um conjunto de fatores, incluindo a prática pedagógica, metodologia e a relação professor/aluno. Não estando o problema apenas fora da escola, mas muitas vezes dentro dela.

Por: Vandeilson Cosme Gomes Barbosa

domingo, 13 de março de 2011

Profissão: Psicopedagoga


Psicopedagogia

O que fazer para seguir esta área que estuda o processo de aprendizagem e suas dificuldades, tendo, um caráter preventivo e terapêutico.

Bacharelado

É a área de estudo dos processos e das dificuldades de aprendizagem de crianças, adolescentes e adultos. O psicopedagogo identifica as dificuldades e os transtornos que impedem o estudante de assimilar o conteúdo ensinado em sala de aula. Para isso, ele faz uso de conhecimentos da pedagogia, da psicanálise, da psicologia e da antropologia. Analisa o comportamento do aluno, observando como ele aprende. Promove intervenções em caso de fracasso ou de evasão escolar. Além de trabalhar em escolas, esse profissional pode atuar em hospitais, auxiliando os pacientes a manter contato com as atividades normais de aprendizado. Pode trabalhar também em centros comunitários ou em consultório, público ou particular, orientando estudantes e seus familiares.

O mercado de trabalho
As atribuições desse profissional cresceram, e seu espaço no mercado se expandiu, porém as vagas de trabalho ainda se concentram nas capitais e cidades de porte médio do Sul e Sudeste. Hoje, áreas como treinamento, educação continuada e assessoria para a contratação de portadores de deficiência elevaram a demanda pelo psicopedagogo no departamento de Recursos Humanos nas empresas. Além disso, governos estaduais e municipais também o contratam, por meio de concurso público, para trabalhar em escolas e órgãos públicos. As vagas estão espalhadas por todo o país - com destaque para as capitais, cidades maiores e a Região Nordeste -, embora o Sul e o Sudeste ainda sejam os maiores empregadores. "Em São Paulo, já é lei que haja um psicopedagogo prestando atendimento em ensino fundamental e médio. A tendência é que outros estados copiem a iniciativa", diz Márcia Siqueira de Andrade, coordenadora do curso de Psicopedagogia do Unifieo, de Osasco (SP). Mas isso só deve acontecer, segundo a professora, depois que for aprovada a criação de um conselho para regulamentar a profissão. Nas universidades, a atuação do psicopedagogo está atrelada à orientação e ao aconselhamento aos professores e, nas ONGs, cabe a ele fazer o desenvolvimento de projetos educativos. Começa o interesse de asilos e instituições de longa permanência por esse profissional.

Salário inicial: R$ 1.500,00 (40 horas semanais); a partir de R$ 70,00 por sessão; fonte: Associação Brasileira de Psicopedagogia.
O curso
O currículo enfatiza duas áreas: psicopedagogia clínica (em que o profissional atua em clínicas sozinho ou com equipes multidisciplinares) e psicopedagogia institucional (em que o psicopedagogo trabalha em grupo em escolas, ONGs, hospitais e centros comunitários). É um curso marcadamente interdisciplinar, composto de disciplinas teóricas, como psicologia do desenvolvimento humano e da aprendizagem, e práticas, como diagnóstico e intervenção psicopedagógica clínica e institucional. O objetivo da graduação é formar um profissional com olhar dirigido à aprendizagem humana em diferentes contextos. O estágio é obrigatório.

Duração média: quatro anos.
O que você pode fazer
Orientação pedagógica
Dar assistência a professores, orientando-os e ajudando-os a prevenir e a evitar o fracasso e a evasão escolar. Resolver questões ligadas a currículo, métodos de ensino e abordagens pessoais. Desenvolver um plano de trabalho que facilite o aprendizado dos alunos.

Educação continuada
Auxiliar indivíduos que, por problemas de saúde, ficam internados em hospitais e afastados das redes de ensino, mantendo-os informados sobre o conteúdo das aulas e dando-lhes apoio para que permaneçam em contato com a escola e com os professores.

Área clínica
Dar atendimento individual em consultórios públicos ou particulares, identificando sintomas, conflitos e transtornos que levem à dificuldade de aprendizado.

Fonte: www.guiadoestudante.abril.com.br

sexta-feira, 11 de março de 2011

A Psicomotricidade na Educação Física



Quando pensamos em desenvolvimento humano, o que logo vem à cabeça é a educação, mas o que hoje esta em foco em razão de uma sociedade sedentária a Educação física se tornou um fator importante para esse desenvolvimento. Sabemos a importância de se fazer alguma atividade física e evitar o sedentarismo, mas isso deve ser trabalhado na educação infantil, pois é na infância que condiciona o individuo a desenvolver um esporte, transformar um indivíduo como um todo somente será possível se a educação física for trabalhada junto com a educação moral e intelectual.

Hoje em dia a educação física nas escolas não passa de uma aula onde os professores dão uma bola aos alunos para que eles joguem não se preocupando em motivar os alunos, não existindo um planejamento nem um objetivo ou finalidade na aula.

A educação física não é só jogar bola, correr ou brincar, ela é uma maneira de o aluno conhecer sua cultura corporal, transmitindo conhecimento sobre a saúde e esportes do mundo, além de desenvolver o potencial de cada um.


Psicomotricidade

Historicamente, a educação física tem priorizado e enfatizado a dimensão biofisiológica. Entretanto, a partir da metade do século entra em cena a psicomotricidade, de forma muito atuante e com uma visão de ciência e técnica. Novas questões, advindas da percepção da complexidade das ações humanas, têm sido trazidas por esse outro campo científico. Passa-se a observar a educação física a partir de uma visão mais ampla, em que o homem, cada vez mais, deixa de ser percebido como um ser essencialmente biológico para ser concebido segundo uma visão mais abrangente, na qual se considera o processo social, histórico e cultural.
Os temas sobre a psicomotricidade eram abordados excepcionalmente em pesquisas teóricas fixadas no desenvolvimento motor da criança. Com o tempo, as pesquisas passaram a abranger a relação entre o atraso no desenvolvimento motor e o intelecto da criança. Seguiram-se outros estudos sobre o desenvolvimento da habilidade manual e da aptidão motora em função da idade. Nos dias atuais, os estudos ultrapassam os problemas motores. Pesquisam-se as ligações com estruturação espacial, orientação temporal, lateralidade, dificuldades escolares enfrentadas por crianças com inteligência normal.
O ser humano é um complexo de emoções e ações, propiciadas por meio do contato corporal nas atividades psicomotoras, que também favorecem o desenvolvimento afetivo entre as pessoas, o contato físico, as emoções e ações. A psicomotricidade contribui de maneira expressiva para a formação e estruturação do esquema corporal, o que facilitará a orientação espacial. A educação física e sua relação com a psicomotricidade estão baseadas nas necessidades das crianças. Com a educação psicomotora, a educação física passa a ter como objetivo principal incentivar a prática do movimento em todas as etapas da vida de uma criança.

Para Monteiro (2006) a Educação Física escolar nos dias atuais levou-nos a perceber as diversas possibilidades de garantir a formação integral dos alunos por meio do movimento humano.
No entanto, a busca por ferramentas de auxilio na aprendizagem escolar tem se tornado uma constante multidisciplinar, na qual a Educação Física e o conhecimento da psicomotricidade nas aulas abrangem a relação desenvolvimento motor e intelectual da criança. Compreendendo que os estudos atuais ultrapassam os problemas motores, pesquisam-se as ligações com as áreas psicomotoras: Coordenação Motora Fina e Global, Estruturação Espacial, Orientação Temporal, Lateralidade, Estruturação Corporal e as relações com a aprendizagem no contexto escolar.
Segundo Barreto (2000) o desenvolvimento psicomotor é importante na prevenção de problemas de aprendizagem.
Portanto, a psicomotricidade nas aulas de Educação Física pode auxiliar na aprendizagem escolar, contribuindo para um fenômeno cultural que consiste de ações psicomotoras exercidas sobre o ser humano de maneira a favorecer comportamentos e transformações.
É, sobretudo, visando à possibilidade de compreensão da importância de se inserir conhecimentos da psicomotricidade nas aulas de Educação Física com o intuito de auxiliar na aprendizagem global dos alunos. E qual a contribuição que a Educação Física proporciona a criança com queixa de dificuldade de aprendizagem no Ensino Fundamental II.
Propõem-se questões relacionadas à aprendizagem, a Educação Física e a psicomotricidade pela incessante procura por ferramentas que auxiliem na intervenção de crianças que apresentam queixas de dificuldades na aprendizagem e a possibilidade de se encontrar nas aulas de Educação Física esse auxilio por meio das práticas psicomotoras.

Fonte:

MONTEIRO, Vanessa Ascenção (2006). Disponível: http://www.efdeportes.com/efd114/a-psicomotricidade-nas-aulas-de-educacao-fisica-escolar.htm, (15 de julho de 2009)

BARRETO, Sidirley de Jesús. Psicomotricidade, educação e reeducação. 2. ed. Blumenau: Livraria Acadêmica, 2000.

Como orientar os alunos com dificuldades na leitura


As diversas dificuldades na prática da leitura.

A dificuldade em realizar a leitura é tida como um dos maiores obstáculos enfrentados pelos alunos. Preocupados com essa questão, vários educadores estão em busca de o melhor caminho a seguir, contribuindo para um melhor desenvolvimento da leitura.

Segundo pesquisas, as escolas estaduais apresentam maior índice em relação à dificuldade com a leitura, porém, vale ressaltar que acontece em todas as instituições de ensino independente do segmento (público ou particular).

É de suma importância para lidar com esta situação, enquanto educadores, ter a consciência de que as dificuldades apresentadas na leitura estão intensamente ligadas ao desenvolvimento das habilidades na escrita provenientes de alterações ou erros de sintaxe, estruturação, organização de parágrafos, pontuação, bem como todos os elementos necessários para a composição do texto.

Partindo desse pressuposto, segue algumas sugestões de estratégias a serem aplicadas de forma que venha facilitar o desempenho no processo de leitura que os alunos apresentam em sala de aula:

• Procure fazer um momento de divisão para leitura, sendo que durante a aula metade do tempo seja dedicado à leitura prazerosa, onde cada um lê o que é de seu interesse, e a outra parte seja voltada para a prática da leitura voltada para o desenvolvimento de conteúdos;

• A escola pode promover campanhas de incentivo à leitura, estimulando os alunos a lerem. Por exemplo: gibis como forma de leitura e entretenimento;


• Trabalhar na análise e decomposição de frases escolhendo palavras segmentando-as em sílabas e fonemas, intervindo na memória, passando de memorização à memória de longo prazo. Vale ressaltar que não deve ser realizada de forma mecânica ou descontextualizada, por exemplo, f e v são vagos quando isolados, mas quando proposto em palavras (faca ou vaca) já permitem um maior entendimento, o que facilita a aprendizagem;

Segundo Duke e Pearson (2002) existem seis tipos de estratégias de leitura consideradas relevantes, baseadas em pesquisas tidas como auxiliares no processo de leitura. São as seguintes:

• Predição: trata-se de antecipar, prever fatos ou conteúdos do texto, utilizando o conhecimento existente para facilitar a compreensão.

• Pensar em voz alta: o leitor verbaliza seu pensamento enquanto lê.

• Estrutura do texto: analisar a estrutura do texto, auxiliando os alunos a aprenderem a usar as características dos textos, como cenário, problema, meta, ação, resultados, resolução e tema, como um procedimento auxiliar para compreensão e recordação do conteúdo lido.

• Representação visual do texto: auxilia leitores a entenderem, organizarem e lembrarem algumas das muitas palavras lidas quando formam uma imagem mental do conteúdo.

• Resumo: tal atividade facilita a compreensão global do texto, pois implica na seleção e destaque das informações mais relevantes contidas no texto.

• Questionamento: auxilia no entendimento do conteúdo da leitura, uma vez que permite ao leitor refletir sobre o mesmo. Pesquisas indicam também que a compreensão global da leitura é melhor quando alunos aprendem a elaborar questões sobre o texto.

Vale ressaltar que, tanto no desenvolvimento da leitura quanto da escrita, pais e professores são mediadores indispensáveis no processo de aprendizagem, prevenindo e intermediando através da correção quando necessária e com cautela.

Fonte: www.educador.brasilescola.com

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Dispraxia


A dispraxia é comumente referida como a "síndrome da criança desajeitada".


A força muscular, a coordenação e as capacidades físicas são reduzidas em comparação com as outras crianças da mesma idade. Isso muitas vezes pode levar a problemas na escola e comportamento agressivo.

O diagnóstico é importante porque pode fornecer uma explicação para o comportamento do seu filho e para os seus problemas de aprendizagem. Depois do diagnóstico, um programa de exercícios graduados pode ser formulado por um dos nossos especialistas fisioterapeutas pediátricos. Este programa será destinado a reforçar, a coordenação eo equilíbrio.

A fisioterapia adequada pode aumentar a confiança do seu filho independente e melhorar o seu comportamento em casa e na escola.

Acredita-se que a dispraxia afecta de 8% a 10% da população em algum grau, e 2% severamente. A dispraxia é uma redução na organização do movimento, como consequência da informação do cérebro ser incorrectamente processada ou transmitida.

A dispraxia é descrita como tendo dois elementos principais:

- Dificuldade de planeamento de uma sequência de movimentos coordenados.

- Dificuldade de execução de um plano, mesmo que seja conhecido.



Os sintomas de dispraxia pode ser visto em uma idade precoce. (Bebés)

- Irritados e podem ter problemas de alimentação

- São lentos a atingir metas de desenvolvimento

- Evitam tarefas que exigem destreza manual.

Dos 3 aos 5 anos de idade


- Se a dispraxia não for identificada, pode afetar a vida de uma criança de escola, causando frustração crescente e baixa auto-estima.

- Muitas crianças com dispraxia demonstram alguns dos seguintes tipos de comportamento:

- Incapacidade de ficar quieto (pés balançando, batendo os pés, palmas)

- Voz estridente

- Temperamento alterado ( ira )

- Colidem com objectos e caiem

- Sujam-se muito o comer em comparação com crianças da mesma idade.

- Muitas vezes as crianças com dispraxia preferem comer com os dedos e freqüentemente derramam bebidas

- Evitam brincar com quebra-cabeças ou blocos de construção

- Falta de espírito imaginativo e criativo

- Dificuldade em segurar um lápis ou brincar os recortes com uma tesoura. Habilidades de desenho pobre em comparação com crianças da mesma idade

- Rejeitado por seus pares, as crianças podem preferir companhia de adultos

- Fruição dos estímulos sensoriais (ruídos altos, vestida com roupa nova)

- Pode ser lento para responder e ter problemas com a compreensão de instruções verbais

- As tarefas são muitas vezes deixadas inacabadas devido à diminuição da concentração

- A lateralidade esquerda ou direita não é totalmente estabelecida

- Existem dificuldades linguísticas

Aos 7 anos

Problemas na criança dispraxia podem incluir:

- Dificuldades de adaptação às rotinas estruturadas da escola

- Dificuldades nas aulas de Educação Física em comparação com os pares

- Geralmente lenta o vestir-se, incapaz de amarrar os cordoes

- Dificuldades em coordenar o uso de uma faca e de um garfo

- Caligrafia ruim

- Habilidades de desenho diminuídas

- Redução da concentração e das habilidades de escuta

- Lentas nos trabalhos de escola

- Facilmente angustiado e sempre emocional

- Incapacidade de estabelecer relacionamentos com colegas

- Dificuldade em dormir

Fonte: www.avcfisio.com

sábado, 29 de janeiro de 2011

O que são as Necessidades Educativas Especiais?


O que é uma criança excepcional?

Várias tentativas têm sido feitas no sentido de definir o termo criança excepcional e todas, devem ser ainda bastante elaboradas para que possam ser compreendidas.



Algumas pessoas utilizam esse termo para se referirem a uma criança particularmente inteligente ou a uma criança com talentos pouco comuns. No entanto, o termo tem sido geralmente aceite para designar tanto a criança deficiente quanto a talentosa. Para os presentes objetivos definimos como criança excepcional aquela que difere de criança típica ou normal por:



Características mentais
capacidades sensoriais
Capacidades neuro-motoras ou físicas
Comportamento social
Capacidades de comunicação
Deficiências múltiplas.



Essas diferenças devem ser suficientemente notáveis a ponto de requerer a modificação das práticas escolares, ou de necessitar serviços de educação especiais, para possibilitar o desenvolvimento até à sua capacidade máxima.

Mas essa é uma definição bastante geral, que levanta uma série de questões.

O que é uma criança típica ou normal?

Que grau de desvio requer educação normal?

Qual é o papel do ambiente na definição?

O que é educação especial?


Se definirmos uma criança excepcional como aquela que se desvia da norma do seu grupo, temos então muitos tipos de excepcionalidades.

As crianças são consideradas educacionalmente excepcionais somente quando as suas necessidades exigem a alteração do programa, isto é, quando os desvios do seu desenvolvimento atingem um tipo e um grau que requerem providências pedagógicas desnecessárias para a maioria das crianças.


As crianças excepcionais são com frequência agrupadas para facilitar a comunicação entre os profissionais. É comum encontrar-se a seguinte classificação:



Desvios mentais:
Intelectualmente superiores
Lentas quanto à capacidade de aprendizagem

Deficiências sensoriais:
Deficiências auditivas
Deficiências visuais

Desordens de comunicação:
Distúrbios de aprendizagem
Deficiências da fala e da linguagem

Desordens de comportamento:
Distúrbio emocional
Desajustamento social

Deficiências múltiplas e graves:
Paralisia cerebral e retardamento mental
Surdez e cegueira
Deficiências físicas
Intelectuais graves


Fonte: www.educ.fc.ul.pt

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Sempre ao seu Lado


Drama inspirado em história real faz chorar com lealdade entre um cachorro e seu dono.

Dica de filme para as férias, após apresentar o labrador Marley, agora é a vez de falar de um Akita chamado Hachiko, no filme Sempre ao seu lado.

Acredito que todo mundo que vai ao cinema deve ter ouvido a frase "o cachorro morre no final", quando alguém queria fazer uma gracinha sobre o filme Marley e Eu. Bom, sem querer fazer piada, mas pensando em preparar o espírito de quem está escolhendo o que assistir já adianto que Sempre ao seu Lado (Hachiko - A Dog's Story, 2009) também vai te fazer chorar. Muito! E não é porque o cachorro morre no final. É bem antes que as primeiras lágrimas vão começar a sorrateiramente se alojar nos cantos dos olhos, para depois correr em cascata. Mas o filme também vai te fazer sorrir e refletir sobre o nosso dia-a-dia e as relações que realmente interessam.

O longa é uma adaptação de uma história real, que aconteceu no Japão no início do século. Hachiko é o nome de um cachorro da raça akita que ficou famoso em todo o país depois que apareceu em reportagens de jornais que contavam sua história de lealdade ao seu dono, um professor da Universidade de Tóquio. Todos os dias Hachiko acompanhava seu amigo até a estação de trem e estava lá quando ele voltava para casa.

A história deste cachorro virou uma lenda no Japão e foi usada em escolas e casas para ensinar às crianças a importância lealdade entre amigos. Serviu também para despertar no país uma onda de criações de akitas, raça pura japonesa que estava cada vez menos popular. Há hoje na estação de Shibuya uma estátua de Hachiko, no lugar onde ele ficava esperando seu dono voltar.

Na versão estadunidense da história, Hachiko continua sendo um akita. Ele é achado quando ainda é um filhote em uma estação na periferia de Nova York pelo professor universitário Parker Wilson (Richard Gere), que o leva para casa. No início, sua esposa (Joan Allen) se recusa a adotar o novo morador, mas é tocada pela cativante relação entre os dois.

Um personagem que faz a ponte entre as duas versões explicando um pouco da mentalidade e crenças japonesas é o também é um professor universitário Ken (Cary-Hiroyuki Tagawa). Ele explica ao amigo que talvez não tenha sido ele quem achou Hachiko, mas sim que o cão o escolheu como seu dono. É ele também que explica que "hachi" é o numeral japonês para oito, um número especial, que simboliza a ligação entre os planos terrenos e espirituais.

A direção do sueco Lasse Hällstrom (Regras da Vida, Chocolate, O Vigarista do Ano) carrega no drama, incorporando elementos tipicamente ocidentais que certamente não estiveram na versão japonesa do filme, Hachiko Monogatari, sucesso de 1987. É o caso da brincadeira de pegar a bolinha, que Ken explica ser algo completamente sem sentido para Hachi. "Cachorros japoneses não pegam a bolinha apenas para agradar seu dono ou ganhar um biscoito", explica Ken em um prenúncio para uma das cenas mais emocionantes do filme. Nessa hora, pode deixar o jeito machão de lado e pegar aquele lenço de papel que estava no bolso desde Marley e Eu. Acredite, você vai precisar. E se ao acender das luzes vierem te perguntar alguma coisa, despiste dizendo que você é alérgico a cachorros.

Fonte: www.omelete.com.br

sexta-feira, 18 de junho de 2010

O que é Psicomotricidade?


PSICOMOTRICIDADE

A psicomotricidade, nos seus primórdios, compreendia o corpo nos seus aspectos neurofisiológicos, anatômicos e locomotores, coordenando-se e sincronizando-se no espaço e no tempo, para emitir e receber significados. Hoje, ela é o relacionar-se através da ação, como um meio de tomada de consciência que une o ser corpo, o ser mente, o ser espírito, o ser natureza e o ser sociedade. Está associada à afetividade e à personalidade, porque o indivíduo utiliza seu corpo para demonstrar o que sente, e uma pessoa com problemas motores passa a apresentar problemas de expressão. A psicomotricidade conquistou, assim, uma expressão significativa, já que se traduz em solidariedade profunda e original entre o pensamento e a atividade motora. Vitor da Fonseca (1988) comenta que a psicomotricidade é atualmente concebida como a integração superior da motricidade, produto de uma relação inteligível entre a criança e o meio. É um instrumento privilegiado através do qual a consciência se forma e se materializa.
Diversos autores apresentaram conceitos relacionados à psicomotricidade. Para Vayer (1986), a educação psicomotora é uma ação pedagógica e psicológica que utiliza os meios da educação física com o fim de normalizar ou melhorar o comportamento da criança.

Segundo Coste (1978), é a ciência encruzilhada, onde se cruzam e se encontram múltiplos pontos de vista biológicos, psicológicos, psicanalíticos, sociológicos e lingüísticos.

Para Jean de Ajuriaguerra (1970), é a ciência do pensamento através do corpo preciso, econômico e harmonioso.

E Barreto (2000) afirma que é a integração do indivíduo, utilizando, para isso, o movimento e levando em consideração os aspectos relacionais ou afetivos, cognitivos e motrizes. É a educação pelo movimento consciente, visando melhorar a eficiência e diminuir o gasto energético.

Sueli Lopes Martins
Psicopedagoga
Artigo retirado da monografia:
Educação Física Infantil - Sua influência na vida adulta


Sueli disse...
Referencias bibliográficas

FONSECA, Vitor. Psicomotricidade. 2 ed. São Paulo: Martins Fontes, 1988.

VAYER, Pierre. A criança diante do mundo. Porto Alegre: Artes Médicas, 1986.

BARRETO, Sidirley de Jesús. Psicomotricidade, educação e reeducação. 2. ed. Blumenau: Livraria Acadêmica, 2000.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Psicopedagogia


A importância da Psicopedagogia

Por Sueli Lopes Martins
Psicopedagoga


A psicopedagogia é uma área criada para atender em sua grande maioria crianças, que por algum motivo tem dificuldades em aprender. Ela é voltada para a aprendizagem humana e pra todo individuo em processo de aprendizagem.
O psicopedagogo é um profissional que previne e trata das dificuldades de aprendizagem. Ele pode atuar em clínicas, instituições escolares, hospitais, empresas e em campo de pesquisa. O objeto de estudo da psicopedagogia é o ser cognoscente que precisa superar sua dificuldade de aprendizagem.
Inicialmente a psicopedagogia tinha o objetivo de fazer a reeducação das crianças portadoras de dificuldades, devido alguma deficiência, hoje um psicopedagogo é capacitado para atuar em todos os níveis da aprendizagem humana e não só em relação a problemas de aprendizagem. Ela pode ser trabalhada em três situações diferentes, como na psicopedagogia clinica, a preventiva e a da pesquisa cientifica.
Na piscopedagogia clinica, o trabalho é feito com o objetivo de resolver a dificuldade existente na aprendizagem, onde existe a intenção de cura, ou seja, resolução do problema desenvolvendo na pessoa com dificuldade, o desejo de aprender, mostrando suas capacidades.
A psicopedagogia preventiva tem como meta aperfeiçoar as práticas educativas, mostrando novas maneiras de se ensinar e que cada um tem uma forma de aprender, isso facilita o processo de aprendizagem, diminuindo ou até mesmo acabando com os problemas.
A pesquisa cientifica na psicopedagogia contribui para fortalecer e aperfeiçoar os trabalhos desenvolvidos junto às crianças e aos jovens, formando adultos mais capazes e até mesmo reeducando jovens desviados.
No Brasil a psicopedagogia esta se desenvolvendo rapidamente, o campo de atuação deste profissional fica cada vez maior. Cresce a cada dia o numero de instituições escolares que tomam consciência da necessidade deste profissional na formação de seus estudantes. Trabalhando efetivamente o psicopedagogo ouve e discutem os assuntos da escola, como a metodologia e as estratégias de ensino, sugere mudanças, promove uma interação entres todos os envolvidos no processo de aprendizagem, como os alunos, os professores e até familiares e funcionários.
Empresas também se conscientizam desta importância e abre portas para este profissional atuar no treinamento e desenvolvimento, sugerindo e coordenando cursos de atualização e melhorando as relações interpessoais.
Em instituições de saúde, o psicopedagogo atende paciente com o intuito de diminuir as perdas e os impactos causados pela doença, auxiliando no trabalho psicológico.
O campo de atuação da psicopedagogia é muito amplo, mas também muito complexo, pois exige no profissional conhecimentos interdisciplinares, além de constante atualização, para ser capaz de atuar ativamente e de forma eficaz em todos os níveis do processo de aprendizagem.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Depressão infantil


Depressão infantil é difícil de ser identificada

Cássia Gisele Ribeiro

"Professores e pais revelam dificuldades para identificar, de maneira precoce, quando uma criança apresenta sintomas de um processo de depressão infantil". A afirmação é de Miriam Cruvinel, que tratou do tema em sua dissertação de mestrado: Depressão infantil, rendimento escolar e estratégias de aprendizagem em alunos do ensino fundamental, realizada na Faculdade de Educação da Unicamp.

"Reconhecer os sintomas depressivos nas crianças tem sido uma tarefa difícil para os pais e professores, dada a sua similaridade com outras dificuldades como, hiperatividade, distúrbio de conduta, agressividade e indisciplina", afirma Miriam. A pesquisadora alerta que a dificuldade em identificar os sintomas depressivos retarda e impede um tratamento, agravando o problema.

O estudo contou com dois objetivos principais: conhecer a prevalência de sintomas de depressão em alunos de uma escola municipal e investigar a existência de relação entre sintomas depressivos, estratégias de aprendizagem e rendimento escolar dos alunos.

Inicialmente, foram levantadas informações a respeito do assunto mediante consulta a artigos, livros, participação em eventos científicos e contato com profissionais que já haviam trabalhado com a depressão na infância. Após se inteirar do tema, foi feito o primeiro contato com uma escola municipal de Campinas. Os alunos que participaram da pesquisa foram avaliados por meio de entrevistas e questionários propostos, além de uma avaliação de desempenho escolar de cada um deles.

Durante o levantamento, a psicóloga verificou a forte relação existente entre os fatores emocionais e o processo de aprendizagem. "Estas duas variáveis caminham juntas, uma interferindo na outra. Assim, uma criança com problemas escolares freqüentemente apresenta dificuldades de comportamento. E o inverso também é verdadeiro, uma criança com problemas emocionais, como a depressão, também pode apresentar dificuldades escolares", afirma a pesquisadora. "Nesse caso, os problemas escolares estariam atuando como uma possível expressão da depressão ", diz.

Para a psicóloga, esses dados revelam a importância do pensamento de uma criança diante dos eventos de sua vida e frente às situações acadêmicas. Afinal, certamente afetarão suas expectativas, a motivação para aprender, seu comportamento em sala de aula e a realização de tarefas.

Cerca de 3,5% dos alunos que participaram da pesquisa apresentaram sintomas da doença. "A prevalência encontrada é expressiva e indica que, de fato, a depressão está presente na infância", diz Miriam. Segundo ela, apesar da ausência de relação significativa, as meninas e os alunos repetentes apresentaram mais sintomas da doença.

Segundo Miriam, os principais sintomas de depressão são: o humor deprimido, falta de interesse nas atividades diárias, alteração de sono e apetite, falta de energia, sentimento de inutilidade, dificuldade para se concentrar, pensamentos ou tentativas de suicídio. No entanto, a psicóloga afirma que para o diagnóstico de um episódio depressivo é necessário que o indivíduo apresente pelo menos cinco dos sintomas citados, sendo que um deles deve ser o humor deprimido ou falta de interesse.

No entanto, a pesquisadora conta que esses sintomas podem variar: "É freqüente que uma criança apresente um humor irritável em vez de tristeza e melancolia. É comum o adolescente sentir tédio e sensação de vazio em vez de humor deprimido", explica.

A pesquisadora explica que já existem métodos eficazes para o tratamento a depressão infantil. Normalmente, o tratamento é realizado por uma psicoterapia, que trabalha não só a criança, mas também toda a família. Dificilmente é indicada alguma medicação.